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7 de setembro de 2009

Sine Saloum


Taxi. 7 places. Mototáxi. Piroga. Charrete. 10 horas de viagem.

Cheguei finalmente na região do delta Sine Saloum, próxima à Gambia. Fiquei hospedada no acampamento Keur Bamboung, que existe desde 2004 e foi responsável pela criação da área de preservação em Bamboung. Quando começaram a assistir a volta dos peixes, ostras, aves e outros animais, criaram o acampamento.

Fazia tempo que estava à procura de um lugar preservado no Senegal, viajei bastante: Ngor, Saint Louis, Yoff, Ngaparu, Mbur, em todos os lugares havia muito plástico na paisagem. O Sine Saloum foi minha última tentativa, depois de ser obrigada a abortar uma viagem a Casamance onde recomeçaram as rebeliões do Movimento Separatista.

Durante viagem acompanhei o ramadan de quem estava comigo no carro, cheguei em Bamboung quando o sol se punha e quebrei o jejum com a equipe do acampamento. Um delícia! Cansaço da viagem, vento de chuva, conversa e café com pão. A hospedagem é simples: casa de palha e barro, comida caseira, energia solar e água de poço.

No dia seguinte, saída de caiaque na maré alta e caminhada pela maré baixa. No caminho, montes de conchas, resquícios do tempo em que a pesca, caça e extração de ostras e mariscos eram desregulamentadas. Esse ano pela primeira vez, irão permitir a pesca e a extração de ostras e mariscos, mas segundo Biram, que me acompanha no passeio, “eles ainda precisam pensar em como vão garantir que só levem os grandes”.

A volta é mais difícil. O plástico ganha proporção. Charrete. Piroga. Mototáxi. Carrapiche. plástico. 7 places. plástico. Táxi. plástico.

25 de agosto de 2009

Musée de la Femme

Annette D'Erneveille foi uma das primeiras pessoas que conheci em Dakar, assim que cheguei na cidade, almocei com toda a sua família. Almoço de domingo como os nossos, falamos de tudo e de nada: o Fesman que não vai mais acontecer esse ano, uma nova loja de roupas, as obras questionáveis do presidente e um costureiro ótimo que alguém descobriu. Eu tentava acompanhar o papo, metade em francês e metade em Wolof. Annette se destacava, com muito bom humor centralizava as conversas com comentários fortes e divertidos sobre cada assunto.

Contei a que vinha e ela me convidou para conhecer o Musée de la Femme, instituição fundada por ela há cerca de 15 anos na Ilha de Gorée, conhecida por ter sido porto de saída de escravos e escravas. O Museu, que fica em frente ao Maison des Esclaves, expõe as produções artesanais, culturais e econômicas da mulher senegalesa e mantém um atelier de costura. Apesar de ter apenas algumas salas e de ser bem menos visitado do que deveria, o Museu tem um valor inestimável por mostrar e valorizar o cotidiano da mulher senegalesa, que não é nada óbvio. Passei 4 dias na ilha, conversando com as mulheres que trabalham no Museu, ouvindo suas histórias, enquanto costuravam.

Maria Diatta

Adja Fatou Mbengue - La mort de mon père


Adja Ndeije Couma Tiue - Une Etape Embarrassante de ma vie